sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O tempo parece ter passado lentamente até aquele momento. A neve ia caindo e ela olhava. Flocos grandes e brancos. Dava vontade de tocar. Deu um passo em frente e estava na rua. Olhou para o céu e os flocos caiam lhe no rosto. Sorriu. Começou a pensar se ele estaria a fazer o mesmo, lá do outro lado. Não deveria, ele odiava o frio e a neve. Ela não se importava, achava até uma certa piada. Gostava de usar a desculpa do frio para se aproximar dele e ele, claro, retribuia com forte abraço. Escondia a cara no pescoço dele e sentia aquele cheiro caracteristico, mistura de perfume e tabaco. O sorriso desvaneceu levemente, as saudades aumentavam e ela relembrava tudo dele. A voz, o toque, o sorriso, o olhar, os beijos. Já não faltava muito para o ver e sentir tudo de novo. Mas será que seria tudo igual ao que era?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O olhar perdia-se na imensidão azul. O vento parecia dividir-se em brincar com o seu cabelo e em gelar lhe a pele branca. Mas não se importava, trazia com ele o leve cheiro da maresia. Ajudava-a a esquecer o cheiro dele. Aquele perfume que parecia surgir em todo lado. Que fazia com que olhasse em todas as direcções à espera de o ver, mas a rezar para não ser ele. Com o perfume vinham as lembranças dos beijos doces e leves, do toque suave e provocante, das palavras sussurradas ao ouvido com aquela voz rouca... Fechava os olhos com força cada vez que se lembrava. Não queria recordar-se da sensação que era estar nos braços dele e sentir a sua pele quente... As mão cerravam-se na areia com raiva, por não conseguir evitar. Eram momentos em que era feliz. Efemeramente, mas feliz. Ou talvez se enganasse a si própria.
Levantou-se, algo insegura do que fazia. Desceu até à costa, deixando que a maré chegasse aos seus pés. Foi como se lhe gelasse a alma. Tal como ele fazia quando não lhe falava, a ignorava e quando ia embora. Abriu a mão e viu a concha que tinha agarrado. olhou em frente e perdeu-se no mar. Desconhecido, sem limites, imprevisivel, com tantas histórias para contar mas preferir o segredo. Percebeu então que ela era como a concha, apesar de bonita, com falhas, sem muitos misterios, pequena. Demasiado pequena para a imensidão que lhe prendia o olhar, tal como ele. Talvez um dia se aventura-se. Talvez um dia o tentasse compreender. Mas aquele não era o dia. Olhou para o Sol, tímido, a brilhar no céu e virou costas ao mar. E a ele.
Enquanto caminhava pela praia sorriu e pensou de como gostava mais do campo. Do verde das àrvores, das cores das flores e dos sons dos bichos. Mesmo assim levava a concha na mão, para um dia se lembrar que teve um mar só para ela.

terça-feira, 25 de maio de 2010

I need something you will never give me.
A reason to dream,
hope,
feel,
inspire,
smile,
and even
cry.

domingo, 21 de março de 2010

Vamos lá BENFIIIIICAAAAA!!!!

SLB SLB SLB! GLORIOSO SLB, GLORIOSO SLBBBB!!!!
Depois da derrota d' Os Lobos estou mesmo a precisar que me animem... Foi o primeiro jogo de rugby que vi ao vivo e devo dizer que adorei! o ambiente, a coragem e força (bruta) dos jogadores, os senhores a vender pipocas e batatas fritas durante o jogo, os miudinhos a vibrar com o jogo tanto como os crescidos e é claro...alguns jogadores, que também não fazem nada mal à vista...=P
Infelizmente, perdi o ínico do jogo e não tive o prazer de cantar a Portuguesa juntamente com a imensidão de pessoas que se tinha deslocado ao Estádio Universitário para apoiar a nossa selecção de rugby. Quando, finalmente, encontramos uns lugarzinhos para nos sentarmos e começamos a ver o jogo, ficamos um pouco chocadas ao ver ao vivo e a cores as placagens (das quais também conseguiamos ouvir o barulho do impacto quando eram mais violentas...=X). Rapidamente ouvimos os miudos que estavam atrás de nós a gritar pelo Vasco Uva e a pedir placagens e os senhores que estavam à nossa frente a fazer comentários daqueles inteligentes sobre as tacticas e as jogadas.
Ao intervalo já estavamos a perder com uma diferença grandita. Mas isso não impedia ninguém de gritar por Portugal, bater palmas e assobiar cada vez que os bichos dos romenos tocavam na bola e tentavam fazer um ensaio. Durante o intervalo os miudinhos pequenos invadiram o campo, muito por culpa dos pais que os incentivavam. Lá vieram os seguranças expulsar os meninos de 4, 5 e 6 anos do campo, porque podiam criar uma situação que depois não pudessem controlar...-.- A resposta de um dos pais foi: "Oh Francisco! Passa a bola ao polícia e façam uma placagem!!!" , toda a bancada desatou à gargalhada! Não percebi muito bem qual era a situação perigosa que miudos tão pequenos podiam fazer mas enfim...
Lá partimos para a segunda parte! Mais placagens, mais gravatas, mais pontos para a Rómenia... Jogamos com mais garra, mas não foi o suficiente, a difrença dos pontos era muito grande(tal como os romenos...nao devia haver nenhum com menos de 1,90 metros!). Fiquei só com uma duvidazinha... Para que é que o Gonçalo Uva quer os 2 metros? Deve ser para ter uma Carolina, porque para saltar para agarrar uma bola que lhe passa por cima da cabeça não é!
No fim, ficamos um pouco tristes porque perdemos a nossa oportunidade de ir ao mundial, mas muito orgulhosas destes homem que defendem as cores do nosso país com tanta garra e sendo o rugby um hobbie e não a sua profissão. Muitos deles são advogados, médicos, estudantes universitários, pessoas com empregos normais que se esfolam para ser bons a um desporto que exige muita forma física, trabalho e dedicação. Verdade seja dita, este é um desporto de elites e já é altura de isso mudar. Enquanto isso não acontece... Força Lobos! continuamos com vocês! =)
Agora...BENFIIIIICA!!! 2-0!! Yeahhhhhhhhhhhhhhhh!
BORÁ LÁAAAAAA!!!!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

As mãos suavam. As pernas tremiam. Não conseguia focar nada. Ajusto as lentes e nem assim. O nó no estômago piora. A voz treme e não parece minha. Sei que aqueles olhos escuros estão em mim. Olho para as letras á minha frente e não as vejo, tento me lembrar e não sai nada. Improviso e engasgo-me. Olho para o fundo da sala e respiro fundo. Pareceu que tudo parou quando por segundos os encontrei. Menos brilhantes que antes, menos intensos como sempre. O estômago aperta mais e cerro os punhos. Continuo a falar num tom de voz que não é meu. As letras dançam á minha frente e acabo a minha parte. Estalo o polegar na esperança que o som me faça sair daquele estado. Nada. Fecho os olhos com mais força, as lentes ajustam-se e nem assim consigo focar. Continuam no fundo a olhar para mim, mas ignoro. Não são eles que me têm assim .Aqueles olhos. Já não são meu para me afectarem. Batem palmas. Acabou. Fujo para o meu lugar e continua o coração a bater me na cabeça. Deve ser do café. Sei bem que não o posso beber. Que me faz mal. Mas continuo. Tal como ainda sonho os aqueles olhos. Mas mais brilhantes e intensos como sempre. Prefiro acreditar que foi do café.
Sim…foi do café...